Esta imagem fascinante mostra uma pequena falha na borda de uma cratera de impacto. Ao examinar a textura das planícies ao redor e do fundo da cratera podemos concluir que um grande fluxo de lava rompeu a borda e abriu um canal pelas paredes da cratera até seu fundo. A intenção era observar o canal, mas é possível ver também, na imagem, uma porção de lava que se represou no fundo da cratera.
Pode-se ver melhor o fundo da cratera
nesta imagem de contexto CTX e neste anaglifo. Ao analisá-las é possível ver que a lava cobriu quase todo o fundo da cratera, deixando livre o pico central, que se transformou em uma ilha num mar de lava.
O objetivo inicial da imagem era estudar o canal e a falha na parede da cratera para entender as propriedades da lava quando aquele fluxo estava ativo há muito tempo atrás. Como um dos objetivos era determinar as alturas relativas da superfície de lava represada e das planícies vizinhas, bem como medir a profundidade do canal, o local foi escolhido para ter uma
cobertura estereoscópica. Assim, o alvo foi imageado novamente 3,5 anos (quase 2 anos marcianos) depois que
a primeira imagem foi adquirida.
Às vezes, quando as duas partes do par estereoscópico são tomadas num intervalo de tempo muito grande, elas se tornam uma boa ferramenta para detecção de mudanças aleatórias da superfície. Alguma coisa teria sofrido mudanças no local após 3,5 anos? Sim! E não tem nada a ver com o antigo fluxo de lava (o principal motivo que levou à tomada das imagens).
Se você olhar com atenção para a parede da cratera poderá ver marcas escuras ao longo daquela feição em diferentes áreas. Estas marcas são chamadas de slope streaks e se formam, provavelmente, a partir de avalanches de areia que removem uma camada fina de material mais claro da superfície (veja a imagem
PSP_005369_1925 para uma explicação mais detalhada). Quanto ao par estereoscópico,
esta sub-imagem mostra dois recortes da mesma parte da parede da cratera, mas na imagem à direita (tomada depois) pode-se ver que um novo slope streak se formou no intervalo entre a aquisição da primeira e da segunda imagem! Este novo slope streak tem aproximadamente 725 metros de comprimento. Este é apenas um exemplo de slope streak que se formou durante o tempo decorrente entre as duas tomadas das imagens. Muitos outros podem ser vistos desde a primeira tomada.
Tradução: Thiago Statella